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| FHC, Collor, Lula, Sarney |
Creio que não seja possível prejulgar um candidato como estatizante, e o outro como liberal. Senão vejamos: foi como Ministro da Saúde que José Serra criou as leis de quebra de patentes para a fabricação de medicamentos genéricos e do tratamento à AIDS. Não haveria atitude mais anti-capitalista, mais desonesta no sentido da livre iniciativa do que um Estado que decide passar por cima de décadas de pesquisa que custaram milhões à laboratórios privados sem pagar um centavo por isso – até o comunista mais roxo do século XIX ficaria espantado com esta atitude.
Por outro lado, no governo de Lula, “nunca antes na história desse país”, os ricos ficaram tão bilionários e os bancos tiveram mais lucros – pelo menos os pobres se remediaram (e só a título de curiosidade, na primeira eleição ganha de Lula, contra Serra, um dos grandes financiadores da campanha vitoriosa foram os laboratórios farmacêuticos).
Enfim, o que queria dizer, a partir da leitura do texto de Daniel Ávila, é que não creio que exista mais, nesta segunda década do milênio, a dicotomia entre esquerda e direita. Isso torna o modo como procuramos nos identificar com o nosso mundo extremamente difícil, se o que desejamos é sermos íntegros e coerentes com nossos valores.
Mas esta dicotomia não começou agora: basta lembrar que foi no mais desastroso governo norte-americano, o de Bush filho, que criou uma guerra inexistente destruindo um país para ser “reconstruido pelas empresas do Vice-Presidente, que foi este governo, que semeou a crise econômica mundial que só foi debelada com o uso de 700 bilhões de dólares dos cofres públicos.
É aquela velha história, os lucros são privados, e os prejuízos são estatizados.
Mas como estava dizendo, temos na história diversos exemplos desta dicotomia, de contradições entre o que se diz, ou do que disseram que foi dito, e da realidade.
Marx, (aquele que disse que a religião era o ópio do povo e inspirador de regimes comunistas, totalitários e perseguidores da livre opinião) era judeu e foi expulso da Inglaterra por defender a liberdade de imprensa. Seu companheiro de trabalho e financiador, F. Engels, era um grande Industrial.
Rosa Luxemburgo, talvez a única pessoa consciente à beira da primeira-guerra mundial e da barbaridade que se desenhava, independente do lado, foi morta por fascistas, mas com a complacência de seus companheiros de partido, que também queriam a guerra.
A Bolívia, ao matar Che-Guevara livrou Cuba de um grande estorvo que este estava se tornando, com suas idéias estaparfúdias e todas mal sucedidas de revolução mundial depois que abandonou Cuba, mas que era inevitavelmente ligado à ela.
O atual papa serviu ao exército da juventude nazista (mas poderia ter resistido e se martirizado, como os santos de verdade do início do cristianismo, que morriam de pé por recusarem a se ajoelhar aos deuses de Roma).
Lula, o presidente-operário, tem uma cobertura (provavelmente milionária) num prédio de São Bernado, seu curral-eleitoral – formado por trabalhadores que moram em casas bem mais humildes.
Aécio Neves, o representante da moderna política, figurinha certa a ocupar a presidência da república e idolatrado em Minas, foi o criador da Verba-Indenizatória dos deputados federais que tem provocado tanto escândalo, prejuízo e vergonha ao Brasil, quando era presidente da Câmara dos Deputados.
Fernando Henrique, o príncipe da intelectualidade e da política, deveria ser preso, juntamente com todo o seu governo e com os poderes que foram coniventes com ele, por crime de lesa-pátria (nenhum país decente do primeiro mundo entrega toda a sua rede de telecomunicações nas mãos de grupos privados estrangeiros. Isso é considerado área de segurança nacional.)
Mas eu sei de uma coisa: Obama é o cara. Pena que nunca poderá ser nosso presidente. Basta ver que ele conseguiu a aprovação da reforma da saúde sem ter que rifar seu governo, comprar votos ou criar mensalões. Em compensação temos, como escreveu o vereador Sander Simaglio neste jornal, nosso “Obama de Saias”, Marina Silva. Também concordo. Mas nem por isso ela e seu partido estão acima do bem e do mal. Pelo interior do Brasil, há coligações do PV, com o que há de melhor, de mais arejado, mas também de mais retrogado na política e na sociedade.
Se o PT tem em seus quadros os Genuínos e Paloccis, temos que fazer justiça ao bom governo de nosso prefeito, e ao que foi feito em Alterosa, por Dimas. Se o DEM (tinha) Arruda, inclusive como possível candidato a vice na chapa de Serra, também tem grandes prefeitos, com grandes projetos, como o prefeito de São Sebastião do Paraíso.
É como diria aquele ditado: “quem vê cara, não vê coração – nem ideologia, nem bandeiras, nem convicções, nem valores….”


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