sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Dia de Luta contra o câncer

José Alencar-Luta incansável contra o câncer
Dia 27 de novembro comemora-se o  Dia Nacional da Luta
de Combate ao Câncer. Segundo, o INCA
(Instituto Nacional de Combate ao Câncer), com o apoio
do IBGE, divulgou a Estimativa para a Incidência de
novos casos para o Brasil em 2010: 480.270 novos casos.
Infelizmente este não é um número aleatório. É
uma estimativa feita com todo o rigor cientifico e histórico
com base em levantamentos de incidência em todas
as regiões do Brasil nas últimas décadas.
O número é assustador, mas se há uma área da medicina
onde reina a esperança é a Oncologia. Há poucos
anos, o diagnóstico de câncer era como uma sentença
de sofrimento e morte. Hoje em dia, a cura é possível,
quando o diagnóstico é precoce. Mesmo quando é tardio,
graças às intensas pesquisas científicas no desenvolvimento
de medicamentos, a resposta ao tratamento
é positiva. Aliás, o desenvolvimento de medicamentos
específicos para cada tipo de tumor, que procuram
atingir somente as células afetadas representa o que há
de mais avançado e sofisticado que a Ciência Moderna
vem produzindo.
Um dos grandes exemplos do combate ao câncer é o
vice-presidente, José de Alencar. Diz ele que é hora da
sociedade brasileira discutir a doença sem "receio da palavra",
sem preconceitos: -"O que precisamos é dar condições
a todos os brasileiros para que obtenham o chamado
diagnóstico precoce". Oxalá toda a sociedade brasileira
possa desfrutar da excelência do tratamento que
o vice-presidente tem acesso, e o qual enfrenta com bravura.
Mas, como ele próprio diz, mais importante que um
tratamento de ponta, é a necessidade urgente de instituir
programas intensos de exames preventivos que possam
detectar o tumor ainda no início, aumentando assim
as possibilidades de cura, inclusive.
Uma porcentagem altíssima de dramas familiares e
pessoais poderia ser evitada facilmente com exames precoces
e hábitos de vida saudáveis. Basta ver que de 80%
a 90% do caso de câncer no pulmão, o que tem maior
incidência de casos e morte em todo o mundo é causado
pelo fumo. O câncer de intestino, que segundo as estimativas
do INCA (clique aqui ) será de 13.310 casos em homens
e 14.800 casos em mulheres, poderia ser evitado
antes do início da metástase com um simples exame de
colonoscopia, que detecta e elimina as primeiras lesões
que darão início ao tumor. Exames igualmente simples,
seguros e que têm que ser acessíveis a toda a população
também detectam com segurança os cânceres de próstata,
mama, estômago, pele e colo do útero, tornando
seu tratamento simples, quando não a cura, se identificados
no início.
Mas ainda é um enigma o porque de os governos, os
sistemas de saúde público e privados, a sociedade (entidades
de classe, igreja, associações, escolas), as famílias
não fazerem destes exames preventivos (e recomendados
pela Organização Mundial de Saúde), um programa
de Estado, tal qual o programa de vacinação de recém-
nascidos, por exemplo.
Do ponto de vista econômico, é inacreditável o gasto
que poderia ser evitado com tais exames se pensarmos
que cada ciclo de quimioterapia passa facilmente da casa
dos 100 mil reais. Enquanto um exame de colonoscopia
em clínicas privadas fica por volta de R$ 400 reais, além
de ser disponível na rede pública.
É urgente superarmos o estigma do câncer como "doença
maldita", a qual nem se pronuncia o nome. Devemos
enfrentá-lo, como diz José de Alencar, de frente.
Evitando ou detectando a todo custo logo no seu início.
Sobretudo devemos não alimentar seu desenvolvimento
com cigarros, excesso de alimentos gordurosos, industrializados,
e defumados.
Mais cedo ou mais tarde, direta ou indiretamente,
muitos de nós teremos contato com ele. É hora de tomarmos
as rédeas da situação antes que ela se agrave.

Dos filmes que vi

Paris


“Quando eu era menino, tinha uma professora que repetia a seguinte oração: "Livrai-nos da morte repentina". O que significa isso? Significa que a morte consciente é melhor do que a repentina. Ela nos dá a oportunidade de refletir.” José de Alencar, em entrevista à Revista Veja, edição 2129. de setembro de 2009


Paris, filme de de Cédric Klapisch, com Juliette Binoche, fala, entre outras coisas, sobre isso que o Vice-Presidente corajosamente fala. Mas antes de tudo, o filme é um Mosaico sobre a vida. E sobre a vida de Paris, e em Paris. A parte “cabeça” do filme fica com o professor de história, que aceita participar em um documentário, contando justamente a história de Paris, cidade luz, moderna e tradicional. Porto de chegado de migrantes que arriscam a vida, e a perdem, tentando chegar nela, enquanto os seus “filhos legítimos” não sabem perceber sua beleza. No filme, o personagem que consegue, mais do que qualquer outro contemplar esta Paris romântica, é o único para o qual a Luz da Cidade Luz ameaça-lhe com um Ocaso eterno: uma grave doença no coração.
Algumas coisas nos fazem ver a vida em perspectiva. Assim temos tempo de aprecia-la, e sorver todo o seu sabor, como o professor de história, que estava se tornando quase um zumbi de bibliotecas, quando deixa se levar pelas intempéries da Vida, da Paixão, do Risco.

É nesta Paris que podemos ver, na enorme tela de cinema, a infinita e bela tristeza de Juliete Binoche. Para que já viu os outros filmes dela, e carregam com si uma constante, mas não pessimista, melancolia, concordará comigo: a sua beleza cinematográfica é incomparável e indescritível – mas quando triste. Em “Paris”, quando chora, a beleza que inspira supera mesmo na seqüência quando (inicia) faz um Strip-Tease.
Neste Mosaico, de Paris, porto de esperança de milhares que se lançam ao Mar, tentando alcança-la como porto seguro, de outros que tem tudo o que precisam para desfrutar da Vida – saúde, mas mesmo assim embruteceram, daqueles que renascem de si mesmos, e voltam a Viver, com todos os perigos, riscos, e feridas que se sucedem, daqueles que conseguem ver a Vida, ainda que da janela do apartamento como se fosse um belo filme de cinema, rodado em Paris, ou ainda,,,, da beleza melancólica dos personagens de Juliette Binoche... vemos que cabe a nós, Viver, refletir, e Viver. (Como se fosse) Simples assim.

Obama: O Herói do Século XXI?


Quando Obama se elegeu o homem mais poderoso do mundo fui atrás de ler sua autobiografia a fim de descobrir ou ao menos conseguir pistas de sua trajetória pessoal que explicassem os caminhos pelo qual chegou à presidência de forma tão meteórica. Entre as várias experiências e aventuras, chama a atenção seus pais terem se conhecido no Hawaí. Fosse em algum ponto do Velho Oeste americano, poucos anos antes, poderiam seus pais, mãe “branca como leite”, e pai queniano, terem sido enforcados, queimados, e fotografados para estamparem postais.
Mesmo depois de ler seu livro “A origem dos meus sonhos”, não é fácil apreender como seus “sonhos” o levaram tão longe – a não ser o fato dele ter se tornado um homem de trajetória e valores cosmopolitas enquanto o mundo e seus donos se mexiam para ficar no mesmo lugar.
Normalmente as lideranças políticas têm uma mesma trajetória até o poder: ou pertencem à famílias tradicionais de políticos (como o governador de Minas, Aécio Neves), ou foram líderes sindicais / estudantis (Lula, José Serra), ou ainda pertencem à famílias “tradicionais” (diga-se ricos e oligárquicos) que sustentam seu poder político através do poder econômico numa comunidade pobre (Sarney). Por fim, hás os ditadores: Hitler, Stálin, Médice. Mas nenhum deles se sustentaria no poder não fossem seus atributos de homens públicos, mesmo os mais sanguinários, pois afinal, tem apoio de uma parte importante da sociedade.
Mas e Obama? Lá em meados dos anos 80 ele trabalhava numa ONG organizando comunidades de bairros pobres na periferia de Chicago. Com apenas um assistente, um carro velho, e um modestíssimo salário; batendo de porta em porta, convocando pais e mães de alunos de escolas do bairro para se reunirem a fim de pressionar o poder público para melhorar a estrutura física das escolas, ou o departamento de infra-estrutura da prefeitura para trocar o encanamento com canos de amianto (cancerígenos) dos prédios mais antigos.
Hoje, por mais que diga em diversas entrevistas que gostaria de ter um problema por vez, ele precisa lidar ao mesmo tempo com as ameaças nucleares de um delinqüente norte-coreano, duas guerras, evitar o colapso do capitalismo norte-americano, o aquecimento global , além de evitar pegar um resfriado – já que um espirro seu pode criar uma pneumonia em meio mundo.
Mas ele não abre mão de tempo para as duas filhas, brinca com o cachorro e ainda mobiliza a CIA e o FBI para levar sua esposa, Michele, a um jantar romântico em Nova York e depois a um show na Broadway.
E não enganem: mesmo com todo o seus charme ele não é do tipo que não faz mal a uma mosca.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Nem esquerda, nem direita, muito pelo contrário

FHC, Collor, Lula, Sarney
Se  há uma coisa que não exista mais na política brasileira, é pureza ideológica. Digo isso depois de ler o texto de Daniel Ávila, em sua coluna, sob o título “Esquerda e Direita, quando diz que “os dois candidatos (Dilma e Serra) possuem um discurso que vai do estatizante ao enfoque público.
Creio que não seja possível prejulgar um candidato como estatizante, e o outro como liberal. Senão vejamos: foi como Ministro da Saúde que José Serra criou as leis de quebra de patentes para a fabricação de medicamentos genéricos e do tratamento à AIDS. Não haveria atitude mais anti-capitalista, mais desonesta no sentido da livre iniciativa do que um Estado que decide passar por cima de décadas de pesquisa que custaram milhões à laboratórios privados sem pagar um centavo por isso – até o comunista mais roxo do século XIX ficaria espantado com esta atitude.
Por outro lado, no governo de Lula, “nunca antes na história desse país”, os ricos ficaram tão bilionários e os bancos tiveram mais lucros – pelo menos os pobres se remediaram (e só a título de curiosidade, na primeira eleição ganha de Lula, contra Serra, um dos grandes financiadores da campanha vitoriosa foram os laboratórios farmacêuticos).
Enfim, o que queria dizer, a partir da leitura do texto de Daniel Ávila, é que não creio que exista mais, nesta segunda década do milênio, a dicotomia entre esquerda e direita. Isso torna o modo como procuramos nos identificar com o nosso mundo extremamente difícil, se o que desejamos é sermos íntegros e coerentes com nossos valores.
Mas esta dicotomia não começou agora: basta lembrar que foi no mais desastroso governo norte-americano, o de Bush filho, que criou uma guerra inexistente destruindo um país para ser “reconstruido pelas empresas do Vice-Presidente, que foi este governo, que semeou a crise econômica mundial que só foi debelada com o uso de 700 bilhões de dólares dos cofres públicos.
É aquela velha história, os lucros são privados, e os prejuízos são estatizados.
Mas como estava dizendo, temos na história diversos exemplos desta dicotomia, de contradições entre o que se diz, ou do que disseram que foi dito, e da realidade.
Marx, (aquele que disse que a religião era o ópio do povo e inspirador de regimes comunistas, totalitários e perseguidores da livre opinião) era judeu e foi expulso da Inglaterra por defender a liberdade de imprensa. Seu companheiro de trabalho e financiador, F. Engels, era um grande Industrial.
Rosa Luxemburgo, talvez a única pessoa consciente à beira da primeira-guerra mundial e da barbaridade que se desenhava, independente do lado, foi morta por fascistas, mas com a complacência de seus companheiros de partido, que também queriam a guerra.
A Bolívia, ao matar Che-Guevara livrou Cuba de um grande estorvo que este estava se tornando, com suas idéias estaparfúdias e todas mal sucedidas de revolução mundial depois que abandonou Cuba, mas que era inevitavelmente ligado à ela.
O atual papa serviu ao exército da juventude nazista (mas poderia ter resistido e se martirizado, como os santos de verdade do início do cristianismo, que morriam de pé por recusarem a se ajoelhar aos deuses de Roma).
Lula, o presidente-operário, tem uma cobertura (provavelmente milionária) num prédio de São Bernado, seu curral-eleitoral – formado por trabalhadores que moram em casas bem mais humildes.
Aécio Neves, o representante da moderna política, figurinha certa a ocupar a presidência da república e idolatrado em Minas, foi o criador da Verba-Indenizatória dos deputados federais que tem provocado tanto escândalo, prejuízo e vergonha ao Brasil, quando era presidente da Câmara dos Deputados.
Fernando Henrique, o príncipe da intelectualidade e da política, deveria ser preso, juntamente com todo o seu governo e com os poderes que foram coniventes com ele, por crime de lesa-pátria (nenhum país decente do primeiro mundo entrega toda a sua rede de telecomunicações nas mãos de grupos privados estrangeiros. Isso é considerado área de segurança nacional.)
Mas eu sei de uma coisa: Obama é o cara. Pena que nunca poderá ser nosso presidente. Basta ver que ele conseguiu a aprovação da reforma da saúde sem ter que rifar seu governo, comprar votos ou criar mensalões. Em compensação temos, como escreveu o vereador Sander Simaglio neste jornal, nosso “Obama de Saias”, Marina Silva. Também concordo. Mas nem por isso ela e seu partido estão acima do bem e do mal. Pelo interior do Brasil, há coligações do PV, com o que há de melhor, de mais arejado, mas também de mais retrogado na política e na sociedade.
Se o PT tem em seus quadros os Genuínos e Paloccis, temos que fazer justiça ao bom governo de nosso prefeito, e ao que foi feito em Alterosa, por Dimas. Se o DEM (tinha) Arruda, inclusive como possível candidato a vice na chapa de Serra, também tem grandes prefeitos, com grandes projetos, como o prefeito de São Sebastião do Paraíso.
É como diria aquele ditado: “quem vê cara, não vê coração – nem ideologia, nem bandeiras, nem convicções, nem valores….”
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