sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Dos filmes que vi

Paris


“Quando eu era menino, tinha uma professora que repetia a seguinte oração: "Livrai-nos da morte repentina". O que significa isso? Significa que a morte consciente é melhor do que a repentina. Ela nos dá a oportunidade de refletir.” José de Alencar, em entrevista à Revista Veja, edição 2129. de setembro de 2009


Paris, filme de de Cédric Klapisch, com Juliette Binoche, fala, entre outras coisas, sobre isso que o Vice-Presidente corajosamente fala. Mas antes de tudo, o filme é um Mosaico sobre a vida. E sobre a vida de Paris, e em Paris. A parte “cabeça” do filme fica com o professor de história, que aceita participar em um documentário, contando justamente a história de Paris, cidade luz, moderna e tradicional. Porto de chegado de migrantes que arriscam a vida, e a perdem, tentando chegar nela, enquanto os seus “filhos legítimos” não sabem perceber sua beleza. No filme, o personagem que consegue, mais do que qualquer outro contemplar esta Paris romântica, é o único para o qual a Luz da Cidade Luz ameaça-lhe com um Ocaso eterno: uma grave doença no coração.
Algumas coisas nos fazem ver a vida em perspectiva. Assim temos tempo de aprecia-la, e sorver todo o seu sabor, como o professor de história, que estava se tornando quase um zumbi de bibliotecas, quando deixa se levar pelas intempéries da Vida, da Paixão, do Risco.

É nesta Paris que podemos ver, na enorme tela de cinema, a infinita e bela tristeza de Juliete Binoche. Para que já viu os outros filmes dela, e carregam com si uma constante, mas não pessimista, melancolia, concordará comigo: a sua beleza cinematográfica é incomparável e indescritível – mas quando triste. Em “Paris”, quando chora, a beleza que inspira supera mesmo na seqüência quando (inicia) faz um Strip-Tease.
Neste Mosaico, de Paris, porto de esperança de milhares que se lançam ao Mar, tentando alcança-la como porto seguro, de outros que tem tudo o que precisam para desfrutar da Vida – saúde, mas mesmo assim embruteceram, daqueles que renascem de si mesmos, e voltam a Viver, com todos os perigos, riscos, e feridas que se sucedem, daqueles que conseguem ver a Vida, ainda que da janela do apartamento como se fosse um belo filme de cinema, rodado em Paris, ou ainda,,,, da beleza melancólica dos personagens de Juliette Binoche... vemos que cabe a nós, Viver, refletir, e Viver. (Como se fosse) Simples assim.

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